Francisco Cuoco, que nos deixou nesta quinta-feira (19), aos 91 anos, eternizou inúmeros papéis na teledramaturgia brasileira, mas um dos mais surpreendentes (e improváveis) foi mesmo depois da morte de seu personagem em "Cobras & Lagartos" (2006). Na reta final da trama de João Emanuel Carneiro, o veterano galã fez uma participação especial que uniu humor, crítica social e até funk carioca... e, claro, salvou Foguinho, personagem de Lázaro Ramos, de um destino espiritual nada agradável.
Na novela, Cuoco interpretava Omar Pasquim, um milionário excêntrico e dono da rede de lojas Luxus. Sabendo que estava com uma doença terminal, ele se disfarça de faxineiro para observar os verdadeiros interesses de seus herdeiros.
No entanto, acaba sendo vítima justamente da ambição da família: sua sobrinha Leona (Carolina Dieckmann) o assassina com um tiro e ateia fogo no galpão onde ele estava, impedindo qualquer chance de sobrevivência. Omar morre queimado, ao lado de seu mordomo.
Mas o capítulo final de "Cobras & Lagartos" reservou uma reviravolta tão inesperada quanto cômica. Em uma espécie de “vida após a morte”, Omar reaparece, desta vez, como uma espécie de anjo. E é no plano espiritual que ele faz sua última (e mais inusitada) boa ação.
Durante o desfecho da novela, Foguinho (Lázaro Ramos), o malandro de bom coração, morre tentando salvar Duda (Daniel de Oliveira) e seu filho do incêndio na Luxus. Ele acorda em uma fila de almas em um tipo de "transporte" público que aguardam o julgamento para o céu ou o inferno. Ao perceber que recebeu um bilhete vermelho — supostamente a senha para o inferno —, entra em desespero.
É quando Omar Pasquim, pleno e celestial, surge do outro lado para intervir. Com seu carisma de sempre, Cuoco entrega a Foguinho um novo bilhete, desta vez azul, autorizando sua entrada no céu. É mole!?
Se a ideia de um céu administrado por Omar Pasquim já era curiosa, a execução foi ainda mais icônica: o paraíso, na versão de "Cobras & Lagartos", era um verdadeiro baile funk celestial. Foguinho e Omar caem na dança ao som de "Vira de Ladinho", de DJ Malboroso e Malha Funk, em uma das cenas mais divertidas da história das novelas brasileiras. Poucas vezes o humor e o simbolismo se misturaram tão bem na teledramaturgia, viu!?
Logo depois do “rolê celestial”, Foguinho ressuscita, graças a Ellen (Taís Araújo), encerrando sua trajetória com redenção e um sorriso...